Castelo de Vinhais
Integrado no núcleo histórico de Vinhais, o Castelo de Vinhais conserva portas, torres e troços de muralha da fortificação medieval que protegeu esta importante vila fronteiriça. Monumento Nacional desde 1947, testemunha a organização do território transmontano e os conflitos da fronteira portuguesa durante a Idade Média.
Sobre
O Castelo de Vinhais nasceu no contexto da reorganização medieval do território transmontano e da criação de novas vilas diretamente ligadas ao poder régio.
Uma primeira tentativa de organização deste núcleo urbano ocorreu durante o reinado de D. Sancho II. Em 1253, D. Afonso III concedeu foral à localidade, consolidando-se posteriormente a nova vila num ponto próximo de um núcleo de povoamento anterior, organizado em torno da igreja de São Facundo.
A construção da vila fortificada terá decorrido ao longo da segunda metade do século XIII. No reinado de D. Dinis, o sistema defensivo encontrava-se já em funcionamento e incluía uma cerca de planta aproximadamente oval, cinco ou seis torres e uma porta principal protegida por duas delas.
O castelo não possuía uma alcáçova autónoma. A torre de menagem estava integrada na própria cerca, numa solução característica da arquitetura militar gótica.
A localização fronteiriça deu à fortificação especial importância durante os conflitos medievais entre Portugal e Castela. Entre 1369 e 1371, durante o reinado de D. Fernando, Vinhais foi ocupada por tropas castelhanas. Novos episódios de instabilidade ocorreram nas décadas seguintes e, em 1397, o alcaide João Afonso Pimentel tomou partido por Castela. A fortaleza regressou à posse portuguesa em 1403.
Durante o final da Idade Média realizaram-se novas obras, incluindo intervenções no reinado de D. Afonso V. A representação executada por Duarte d'Armas no início do século XVI mostra, porém, que algumas estruturas já se encontravam degradadas: a face interior da torre de menagem estava destruída e outras torres apresentavam problemas nas fundações.
Apesar da construção posterior de uma barbacã e de torreões complementares, a fortificação perdeu progressivamente a sua função militar. Em 1527, as muralhas eram já descritas como parcialmente derrubadas e, ao longo dos séculos seguintes, edifícios particulares foram sendo construídos junto dos antigos muros.
No século XX, a preservação dos vestígios ganhou nova importância. Na década de 1960, uma tentativa de demolição do que restava da fortaleza encontrou oposição da população. Seguiram-se trabalhos de consolidação e restauro das estruturas sobreviventes.
Atualmente permanecem portas, torres e troços da antiga muralha integrados na malha urbana de Vinhais. O castelo está classificado como Monumento Nacional desde 1947. Em 2018 foi esclarecido que a classificação abrange especificamente as estruturas defensivas sobreviventes.
Informação prática
Localização: núcleo histórico de Vinhais.
Os vestígios do castelo encontram-se integrados na malha urbana, permitindo observar portas, torres e diferentes troços da antiga muralha durante um percurso pela zona histórica.
Por se tratar de estruturas defensivas distribuídas pelo espaço urbano exterior, não se aplica ao conjunto um horário convencional de abertura.
O percurso pode apresentar desníveis, escadas e pavimentos irregulares próprios de uma zona histórica, pelo que as condições de acessibilidade variam entre os diferentes pontos.